Eu vivi a APLV com meu filho

Olá amigos! 
Escolhi falar desse tema, pois foi principalmente ele que me motivou a criar a página no instagram. 
Tive uma gravidez bem cansativa, com várias pequenas complicações. Quando o Bento nasceu, pensei comigo, finalmente vou respirar. Mas não! Foi exatamente o contrário. O meu pequeno só chorava! E aquele falatório todo: é cólica, bebês choram!! E eu confesso, não achava normal aquele volume de choro. Produto final: com cinco dias de vida, lá estava eu no consultório de uma médica pediatra que aprendi a amar e respeitar e que é a pediatra do Bento até hoje (2 anos e 1 mês).  
O Bento chorava por muitos motivos, alguns inerentes a um recém nascido (RN), outros não. Não sugava corretamente o seio (Tive problemas para amamentar, mas consegui), portanto chorava de fome, tinha cólicas e refluxo.  
Algumas medidas como compressa de água morna para cólicas, analgésicos, e medicação para gases além de coli kids foram usados na época para cólicas. Além daquele controle rigoroso na minha alimentação. 
Já para refluxo, label inicialmente, que não provocou nenhuma mudança, em seguida losec mups (que mudou a vida do Bento). Além disso, travesseiro anti refluxo, 30 min e permanecer de pé após cada mamada através do nosso colinho. 
O tratamento surtiu efeito e Bento melhorou bastante com 1 mês de vida. Mas, tinha mais alguma coisa. Algo o irritava, ele ainda era inquieto e choroso. Foi então que a nossa pediatra solicitou um exame de USG (Ultrassonografia) para confirmar o refluxo, e além disso solicitou exame de fezes para pesquisar sangue oculto calprotectina fecal. 
E lá fomos nós!! No noite anterior ao exame, lá estávamos nós ajudando o Bento a fazer quatro horas de jejum (Eu, meu marido e minha mãe madrugada a dentro dormindo com Bento no colo para ele não acordar de fome), e no dia seguinte fomos para a ultrassonografia. No momento do exame nós conseguimos ver o "leitinho voltando", não como o pior dos refluxos, mas voltando, ou seja, mais um motivo pra aquele choro todo do Bento, a queimação. Em seguida, partimos para o Rio e fomos fazer exame de fezes. Para nossa tristeza, sangue oculto positivo e calprotectina fecal elevada nos resultados quinze dias após o exame. Confirmamos a tão indesejada APLV, alergia a proteína do leite da vaca. 
Mas então você me pergunta: o que tem haver o sangue oculto e a calprotectina? A grosso modo, a calprotectina fecal é um marcador relacionado diretamente a doença inflamatória intestinal. Em níveis mais elevados ainda, nos direciona para doenças ainda mais complexas. Mas apenas elevada nos fala a favor da APLV, bem como o sangue oculto positivo nas fezes que nos diz exatamente que há algo de errado que provoca algum tipo de sangramento intestinal. 
A partir daí foi mais fácil: cortamos o leite da vaca e derivados, carne vermelha e soja. Para Bento, mudamos a fórmula do leite, que era  a base de aminoácido. Devagar o Bento  evoluiu muito bem e alguns meses não era mais um bebê chorão pois retiramos dele tudo que provocava irritação intestinal.  
Na alergia ao leite, o sistema imunológico identifica certas proteínas do leite como prejudiciais, provocando a produção de anticorpos imunoglobulina E (IgE) para neutralizar a proteína. Em um próximo contato com as proteínas do leite, estes anticorpos IgE irão reconhecê-las e sinalizar o sistema imunológico para liberar histamina e outras substâncias químicas, provocando reações alérgicas variadas.(Empório ECO) 
Em termos científicos, na APLV o organismo da criança não reconhece uma ou mais proteínas do leite de vaca (caseína, alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina) e reage elas. Aproximadamente 1 em cada 20 bebês tem APLV. (APLV sem Neura) 
O tratamento da APLV consiste na realização da dieta de exclusão por no mínimo 6 meses. O sucesso do tratamento das alergias alimentares depende do adequado seguimento da dieta. Quase sempre a APLV tem cura! Grande parte dos pacientes desenvolve tolerância ao alimento após 2 anos de idade. 
Para agregar informações, vale fazer uma observação importante, que é lembrar que intolerância a lactose (açúcar do leite) é um diagnóstico e alergia a proteína do leite da vaca é outro diagnóstico.
O mais difícil disso tudo, inicialmente além do choro do Bento, foi a dieta de exclusão. Eu eliminei o leite de vaca, a carne vermelha e a soja. Segundo minha gastropediatra, mais de 50% das crianças que tem alergia a proteína do leite de vaca, tem alergia a carne vermelha e a soja. Foram 5 meses de dieta de exclusão, e pelo amor e pela vontade de amamentar, eu consegui. Não, não foi nenhum pouco fácil, mas ver o Bento bem me dava muita força. Minha gastropediatra me dizia sempre que minha dieta e meu respeito para cada etapa de inclusão na dieta do Bento, também fariam diferença no futuro dele. Por isso eu era tão rigorosa e respeitava tanto cada etapa. 
Depois de meses de dedicação, Bento saiu muito bem disso tudo. Imediatamente após a minha dieta de exclusão, sua recuperação foi evidente. Concomitantemente, o tratamento para o refluxo, fizeram com que nossas vidas realmente mudassem para melhor. Principalmente a vida do Bento, que deixou a irritabilidade de lado e deu lugar ao sorriso. 
O leite de lata que usávamos custava na época 130 reais e era a base de aminoácidos. Gradativamente fomos evoluindo para leites mais próximos do leite comum. Isso durou um ano, e hoje ele consome o leite convencional, mas sem açúcar na fórmula.  
Eu tive minha dieta liberada aos poucos e ainda amamentando conseguia ter uma dieta bem ampla sem que ele sentisse incômodo. 
Bento hoje com dois anos, come tudo o que deseja, e não tem restrições alimentares. 
Disso tudo o que vivemos , eu o Bento, o Adriano e nossa família, aprendi de fato, logo de início, a ouvir meu coração de mãe, que me dizia que havia algo de errado com aquele choro. Ouvi, enfrentei e coloquei em prática todas as informações e solicitações médicas. Me senti meio carente de informações no início, mas rapidamente me abasteci de conteúdos que pudessem nos ajudar. 
Sugiro que ouçam sempre seus corações e que não aceitem como "normal", todo e qualquer choro. 
Espero ter ajudado! 
Contem comigo para dúvidas e para qualquer tipo de informação! Meu objetivo é ajudar!

5 comentários:

  1. Amiga, vivi a APVL com o Caio e é péssimo! Muito bom seu post!

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    1. Obrigada pelo carinho,amiga! Que bom que gostou do post!

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  2. Me identifiquei com o seu post? Você se lembra quanto foi o resultado da calprotectina fecal do seu filho? A da minha bebê deu muito alta mesmo depois de um mês e meio de dieta.

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    1. Quanto deu da sua bebê? Meu filho deu 1208. Será que é normal esse valor para aplv?

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    2. Quanto deu da sua bebê? Meu filho deu 1208. Será que é normal esse valor para aplv?

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