Pra onde vai o lixo que você produz?



Em nossas inúmeras conversas, descobri que minha amiga Paula Maio, empresária, proprietária do empório da papinha Niterói, havia visitado o CICLO ORGÂNICO, e pedi para ela nos contar sobre toda essa experiência e tudo o que aprendeu sobre o LIXO que produzimos. 
Espero que aproveitem a leitura, pois está repleta de informações valiosas. 


É com enorme prazer que estou aqui mais uma vez escrevendo para o Dica de mãe. 

Nesse bate-papo, eu quero dividir com vocês uma experiência vivida por mim, que mudou minha relação com o lixo! SIM!! VAMOS FALAR SOBRE LIXO E VOCÊS IRÃO SE SURPREENDER!! 

Se eu conseguir que após essa nossa conversa, pelo menos uma única pessoa, PARE, para pensar sobre o lixo que produz todos os dias, eu já estarei feliz. 

No primeiro artigo que escrevi para o Dica de mãe, eu falei sobre como a alimentação orgânica mudou a minha vida.

Na realidade, essas mudanças continuam acontecendo, e um mundo novo cheio de possibilidades, experiências, e pessoais incríveis, vem se abrindo para mim. Depois que eu mudei o padrão alimentar da minha família, reduzindo, drasticamente, o consumo de produtos industrializados, eu passei a descascar bem mais, e a desembalar bem menos. Conseqüentemente, um dos reflexos dessa mudança, foi perceber, que o meu lixo também havia mudado muito. Atualmente, cerca de 90% do lixo que produzimos em casa é proveniente de resíduo orgânico, ou seja: cascas de frutas e legumes, verduras, casca de ovos, etc. 

Na verdade, toda vez que eu jogava fora tudo isso, meu coração ficava apertado. Sempre me vinha à cabeça, que aquele lixo deveria ser aproveitado, mas eu não sabia como. Até então, eu não imaginava ser viável, pelo menos para mim, super urbana e moradora de apartamento, ter uma rotina de reciclagem de lixo orgânico. Entretanto, comecei a pesquisar sobre reciclagem e li um artigo sobre o processo de COMPOSTAGEM realizado pelo Ciclo Orgânico, e me encantei com o projeto, principalmente porque percebi que a compostagem é um processo possível para qualquer pessoa realizar. Basta ter um pouquinho de disciplina e vontade de fazer acontecer. 

Fiquei tão interessada, que entrei em contato e marquei uma visita ao parque do Martelo, no Humaitá, onde o projeto é sediado. E para minha satisfação conheci o Lucas, um menino que sonhava ser lixeiro quando criança, e que hoje, com apenas 20 e poucos anos, idealizou e colocou em prática, um projeto lindo, através do qual já foram coletados mais de 70 toneladas de resíduo orgânico, transformados em mais de 50 toneladas de composto orgânico. 

O Ciclo Orgânico existe desde 2015. 
A ideia é que as pessoas interessadas em reciclar seu lixo orgânico se associem ao projeto, para ter esse tipo de resíduo coletado em suas casas. Cada associado recebe um baldinho do projeto e o saco de lixo compostável, para fazer o armazenamento dos resíduos orgânicos. A coleta do lixo é feita semanalmente de bicicleta, e o lixo levado para o parque do Martelo, onde ocorre o processo de compostagem. 

Mas, o que é COMPOSTAGEM? Qual seu resultado? Quais os benefícios de se compostar o lixo orgânico? 

Em síntese, compostagem é o processo de decomposição de matéria orgânica: restos de frutas, verduras, legumes, etc. O resultado da compostagem é o composto orgânico ou adubo, que é usado para fertilizar a terra. A compostagem é realizada por microrganismos e minhocas, que, na presença de umidade e oxigênio, se alimentam dessa matéria, fazendo com que seus elementos químicos e nutrientes voltem à terra. 

O processo de compostagem enriquece a terra em nutrientes; evita queimadas que poluem o ar; melhora a estrutura do solo; melhora a drenagem e retêm água nos solos arenosos, além de reduzir a necessidade de usar herbicidas e pesticidas. 

Eu tive o prazer de aprender tudo isso lá no Ciclo Orgânico, e o mais incrível para mim, foi saber que o Lucas idealizador do projeto está tentando trazer o Ciclo Orgânico para Niterói. Eu, como Niteroiense, e muito interessada em ver nossa cidade sediando e apoiando iniciativas tão importantes, me senti no dever de contar para vocês sobre a existência desse projeto, e do trabalho maravilhoso que eles fazem em prol de um mundo mais sustentável. 

Já imaginaram o Parque da Cidade ou o Campo de São Bento abraçando esse projeto? Que maravilhoso seria ter um espaço destinado para a compostagem do lixo orgânico produzido pela cidade! Ainda poderiam ser criadas hortas comunitárias, as quais seriam beneficiadas com o adubo resultante! Sonhar com uma cidade melhor é importante, mas partir para a ação é fundamental!! 

Desde 1991, a CLIN tem um programa de coleta seletiva. Vale ressaltar que esse programa não abrange o lixo orgânico, mas apenas materiais como plástico, papel, alumínio, etc. O sistema de recolhimento de lixo seletivo vem expandindo, mas, hoje, apenas 3% à 5% de todo o resíduo produzido na cidade é reciclado. Cabe a cada um de nós mudar esse índice, fazendo com que ele cresça a cada ano. 

Vale mencionar, que todo resíduo coletado seletivamente na cidade de Niterói é doado para duas cooperativas de catadores (uma no Morro do Céu e a outra na Rua Padre Anchieta - Coopcanit), desta forma todo participante auxilia na preservação ambiental e na inserção social. 

Outra informação muito útil, que talvez nem todos saibam, é que Niterói tem pontos de entrega voluntária (PEV´s) distribuídos em vários bairros da cidade, em pontos estratégicos de trânsito dos municípios. 

Todos os PEV´s estão listados no site www.clin.rj.gov.br, assim como diversas outras informações sobre o programa de coleta seletiva de lixo na nossa cidade. 

Para finalizar esse nosso papo, vou sugerir que façamos uma breve reflexão: Que tipo de lixo eu produzo? Como eu faço o descarte desse lixo? Eu sei para onde vai o lixo que eu produzo? Quais as conseqüências ambientais esse lixo gera? Eu faço alguma coisa para reduzir o lixo produzido por mim? Existem soluções viáveis para minimizar os impactos ambientais causados pelo lixo? 

Nossas vidas são tão corridas, é tanta função....filhos, trabalho, casa...que as vezes vamos no automático, sem nos dar conta do quanto negligenciamos a educação ambiental dentro da nossa casa. 

Nossos filhos, netos, as futuras gerações, precisarão de uma nova postura ambiental e nós precisamos de verdade começar agora. Eu, de 2009 para cá, comecei a mudar minha alimentação, buscando opções orgânicas, e mergulhei nesse novo mundo que se abriu para mim, e cada dia mais, fica difícil voltar atrás. Foi através da alimentação orgânica que novos valores e consciências foram nascendo em mim. Nunca é tarde para mudarmos maus hábitos. 

Pessoas como o Lucas, citado nessa conversa, são pura inspiração. Devemos nos perguntar todos os dias, o que estou fazendo para ser melhor para mim mesmo, para o próximo, para o mundo em que vivo? Parece piegas, mas só assim vamos conseguir resultados reais. A mudança está em nós. 


Quem quiser comentar, perguntar, sugerir, criticar....será um prazer trocar com vocês. E quem achou que trazer o Ciclo Orgânico para a nossa cidade será demais, acesse a página do projeto (www.cicloorganico.com.br), siga o IG @cicloorgânico, e entre em contato comigo através do IG @emporiodapapinhaniteroi para fazermos isso acontecer. Juntos sempre somos mais fortes. Um enorme beijo e até o nosso próximo bate-papo. 


Paula Maio.
Empório da Papinha Niterói
97289-3149
www.emporiodapapinha.com.br
@emporiodapapinhaniteroi 


Entrada da Horta comunitária criada pelo projeto no Parque do Martelo, que antes de receber o projeto estava abandonado e hoje está revitalizado.

 Eu com sacos de adubo (composto orgânico) resultado da compostagem realizada pelo projeto.   Os sacos de adubo são dados aos associados ao projeto como bônus. Há a opção de escolher entre uma muda de tempero ou um saco de adubo de 2 kg.

   Um dos tanques de compostagem.

   O Lucas idealizador do projeto.

  As bikes usadas para fazer a coleta do lixo nas residências dos associados.


E aí? Gostaram dessa matéria incrível? Contem pra gente!

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