Do rosa se fez o azul





Em comemoração ao outubro rosa, que ressalta a importância da prevenção do câncer de mama em todo mundo, convidei para escrever para nosso blog, uma pessoa muito especial e querida, com uma história muito emocionante. Iohana Salla, que teve câncer de mama, conseguiu passar por todo o tratamento e engravidar do iluminado Arthur, que veio ao mundo no útimo dia 11 de outubro. É um relato do coração que merece ser lido com muito amor.
Iohana, muito obrigada de todo coração por toda sua luz e desprendimento em nos contar sua história de vida de maneira tão inspiradora.


Vamos a esse relato, que só tem por objetivo ajudar a muitas mulheres e a muitos casais. Puro amor!

A vida nos prega várias peças, e nós, a cada dia, buscamos sabedoria pra saber lidar, aceitar, crescer e agradecer cada uma delas.
A minha peça começou num banho após um treino de preparação para uma meia maratona (que ainda é um sonho a realizar).
Num exame de palpação das mamas, encontrei um nódulo e aí começou o espetáculo mais difícil da minha vida. Foram vários exames, médicos, procedimentos até que veio a notícia de que eu estava com um tumor maligno na mama esquerda aos 30 anos de idade.
Como se não bastasse, o fato de ter tido um tumor tão jovem, descobrimos num mapeamento genético que eu era portadora de uma mutação genética ( a mesma da Angelina Jolie) que me predispunha a tumores malignos na  mama.
Fizemos a cirurgia de retirada do tumor e a contra lateral preventivamente. Foi uma decisão difícil, mas assertiva na minha opinião.
Aos 30 anos me vi mastectomizada bilateralmente e ainda com 16 sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia para fazer.
Tratamento longo, cansativo, mas em nenhum momento achei que não fosse dar certo, por mais difícil que fosse passar por tudo isso.
O cabelo caiu, emagreci, tive várias restrições alimentares, tive medo, tive dúvidas, tive cansaço, tive vontade de desistir, mas também tive amigos, tive família, tive FÉ, tive vontade de chorar ( e como chorei, limpa a alma sabia?), tive vaidade apesar de, em alguns momentos não se reconhecer no espelho, tive esperança de dias melhores e tive a cura.


Assim que tudo acaba você só consegue fazer uma coisa: AGRADECER!!! E a sabedoria de lidar com esse espetáculo trágico te torna mais forte, mais madura, mais resiliente, e te ensina a valorizar aquilo que realmente faz diferença na sua vida e com isso o que você faz com seu tempo passa ser a coisa mais importante da sua vida.




Como se não bastasse, a quimioterapia pode deixar algumas complicações e no meu caso, veio a notícia de uma possível esterilidade, ou seja, eu não conseguiria engravidar. Eu aceitei todas as notícias sobre essa experiência com a doença de uma maneira muito serena, mas essa não! Se tinha uma coisa que eu tinha certeza nessa vida é que eu seria mãe. A maternidade na minha concepção está muito além de gerar um filho, está no querer em ser mãe. Esse querer te transforma num ser capaz de amar um filho independente da maneira como ele chegue até você, da mesma  maneira que o não querer te faz abandonar com a mesma facilidade. A maternidade sempre foi uma certeza pra mim e Eu poderia tentar qualquer tratamento após 5 anos do diagnóstico, e assim foi feito.
Mais uma vez, Deus foi generoso e colocou 02 anjos em minha vida, Dra Viviane Monteiro e Dra Simone Nogueira, que compraram a minha certeza como se fosse a delas e usou tudo que a medicina tinha disponível para que eu conseguisse um óvulo. Engravidar por meios normais seria realmente muito difícil, mas existia ainda a possibilidade da estimulação ovariana e inseminação.
Conseguimos 4 óvulos e os 4 se transformaram em embriões. Ufa, o sonho da gravidez está mais perto.
Iniciamos o tratamento dia 05/11/2016, e no dia 26/01/17 fizemos a transferência dos embriões, duas semanas depois veio a melhor notícia das nossas vidas, eu estava grávida.






Nesse momento só conseguir chorar, chorei horas e ainda choro contando isso pra vocês.
Eu não tenho motivo para questionar os propósitos de Deus por ter levado minha mãe pela mesma doença 2 anos antes disso tudo, nem por ter me dado a mesma doença dela, muito menos por não me permitir engravidar por meios normais. Eu só tenho motivos para AGRADECER a ELE pela vida, pela minha família, pelo meu marido ( que está comigo há 12 anos e segurou essa barra toda sozinho), pelos amigos que vibram e esperam o Arthur como se fosse filho deles e por ter me tornado a mulher que sou hoje.
Na vida tudo passa, o tempo é um santo remédio, o que a gente precisa é de paciência para entender os tempos do cara lá de cima. Cabelo cresce, o corpo volta, as cicatrizes ficam, mas ela é o maior sinal de que você venceu.
Pedir, a gente sempre pede né?? Eu não sou diferente. Hoje peço sabedoria pra criar meu filho, saúde pra todos nós e muito amor no coração de todas as pessoas.






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