A depressão chegou antes do parto

Eu achava que isso era uma coisa impossível. Mesmo sendo enfermeira, achava que depressão pós parto era aquela doença dos livros, que as mães queriam ficar longe das crianças e que a família tinha que ficar ao lado, porque do contrário a mãe poderia fazer alguma coisa de errado.
Quanta história, não? Passei por tantos problemas na gestação, problemas de saúde mesmo, que faltando aproximadamente dois meses e meio para o nascimento do Bento, mergulhei numa tristeza sem fim. Uma sensação muito estranha de desesperança, uma tristeza sem motivo aparente, pensamentos ruins e um choro que sempe vinha ao entardecer. Achei que era passageiro, mas não foi. Demorava algumas semanas até que conversei com minha obstetra (que amo e respeito demais) e procurei ajuda psiquiátrica. Fui diagnosticada com depressão e um transtorno de ansiedade. Tinha indicação para tratamento medicamentoso, seguro para mim e para o Bento, com prescrição do psiquiátra e da obstetra. Pensei comigo, agora vai ficar tudo bem, até ler a bula do remédio. Apesar de todo respaldo científico, optei por não iniciar tratamento medicamentoso. É isso mesmo!! Resolvi segurar com muita oração e concentração até o parto. Contei com minha família e com uma amiga muito fiél, a Cláudia, que me levou por caminhos religiosos maravilhosos. Bom, se você me perguntar, eu direi que o tratamento medicamentoso para depressão antes do parto, quando bem prescrito, tem todo respaldo, mas é importante que cada um tome sua decisão. Eu optei por não iniciar.
Sinceramente achava que após o nascimento do Bento tudo ia melhorar. Minha obstetra dizia, Hamanda vai piorar. O desequilíbrio hormonal é grande e isso pode piorar até porque imaginamos aquela cena linda de pós parto em casa com roupas esvoaçantes e não é bem assim, não é mesmo? Após o nascimento do Bento piorei muito, tinha dificuldade para amamentar, chorava bastante e com quarenta dias de pós parto iniciei tratamento medicamentoso. Com toda fraqueza do mundo, com vinte dias eu era outra mãe, outra mulher. Forte, inteira para cuidar do meu filho. Continuei o tratamento por nove meses e depois interrompemos, sem nenhum problema inclusive para amamentar.
A melhor coisa que eu fiz na vida foi encarar o problema de frente, sem preconceitos e buscar a melhor ajuda profissional possível. Isso é fundamental.
Se você, mamãe, se sente assim, entenda que é muito normal e pode acontecer com a gente. Encare sem preconceitos e tenha no coração que o mais importante é que você se sinta bem para cuidar do maior amor da sua vida, seu filho.
Esse foi um relato verdadeiro e do coração.

Dúvidas? Mande pra mim.

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