Conjuntivites: o que devemos saber?

Temos tido muitos casos de conjuntivites nesse final de fevereiro e início de março de 2018,na emergência e consultorio, afetando famílias inteiras, então faz se necessário um breve relato informativo para prevenção e diminuição da disseminação desta doença!

Fica de olho no post abaixo!

A conjuntivite é uma infecção ou inflamação na conjuntiva dos olhos, que os deixa muito vermelhos e surgem sintomas como lacrimejamento, coceira e secreção. Pode afetar apenas um olho, ou os dois, e pode ou não ser contagioso, dependendo do tipo de conjuntivite.

Existem três formas de conjuntivite, divididas de acordo com a sua origem:

1. Conjuntivite infecciosa
A conjuntivite infecciosa é transmitida por vírus, fungos ou bactérias que infectam a membrana que reveste o olho, causando dor, vermelhidão e secreção. Este é um tipo de conjuntivite muito contagiosa e pode afetar apenas um ou ambos os olhos. São muito comuns no verão.
A conjuntivite bacteriana é aquela que gera sintomas mais intensos, e produz secreções mais espessas, amareladas e abundantes do que a conjuntivite viral, em que as secreções são mais esbranquiçadas. Neste caso, o médico pode prescrever um colírio ou pomada com antibiótico.

2. Conjuntivite alérgica
A conjuntivite alérgica é a mais comum e geralmente afeta ambos os olhos, sendo provocada por substâncias que provocam alergia, como por exemplo pólen, pêlos de animais ou poeira da casa. Geralmente afeta pessoas susceptíveis a alergia como em casos de rinite ou bronquite.
Este tipo de conjuntivite não é transmissível e ocorre mais vezes na primavera e no outono quando há muito pólen espalhado pelo ar, podendo, por isso, ser tratada com um colírio anti-alérgico.

3. Conjuntivite tóxica
A conjuntivite tóxica é uma irritação causada, normalmente, por produtos químicos, como por exemplo a tinta do cabelo, produtos de limpeza, exposição a fumaça do cigarro ou a pequenos objetos que ficam presos no olho, assim como pelo uso de certos medicamentos. 
Nestes casos, os sinais e sintomas como olhos lacrimejando ou vermelhidão, normalmente desaparecem de um dia para o outro, apenas com lavagem com soro fisiológico, sem que seja necessário tratamento específico, somente evitando o contato com tais substâncias.

Como saber que tipo de conjuntivite tenho?

A melhor forma de identificar o tipo de conjuntivite, é consultar o médico, pois ele é capaz de identificar o agente causador da conjuntivite ao observar o paciente e os sintomas da doença, que são ligeiramente diferentes em relação à intensidade. Até saber o diagnóstico, deve-se prevenir o contágio com alguns cuidados.
Os cuidados para não passar conjuntivite devem ser seguidos com disciplina pelos indivíduos infectados, uma vez que esta é uma doença de fácil transmissão. Os principais cuidados que o individuo deve ter são:
•Lavar bem  e frequentemente as mãos.
• Evitar esfregar os olhos com as mãos.
• Não frequentar ambientes fechados e com muita gente enquanto estiver infectado (escolas, festas, transportes públicos).
• Evitar apertos de mãos, abraços e beijos.
• Usar gases ou lenços de papel para higienizar os olhos e descartar os materiais imediatamente após o uso.
• Não compartilhar lentes de contato, óculos ou maquiagem.
• Separar seu travesseiro, e trocar a fronha frequentemente.
• Separar seu sabonete, e não compartilhá-lo com mais ninguém.

As conjuntivites virais da as mais comuns em nosso meio, cerca de 95%, os vírus mais comuns são os mesmos que também afetam as vias respiratórias, sendo o adenovírus o mais agressivo entre eles.
Esse tipo de conjuntivite começa em um olho e, de 1 a 2 dias, já é transmitida para o outro olho. Como todo quadro viral, a doença é curada sozinha, entre 7 a 10 dias , sem a necessidade de tratamento específico. Somente para alívio dos sintomas.
O contágio pode ser feito durante todo o tempo em que o olho estiver vermelho.

A segunda causa mais comum, são as bacterianas.
A transmissão se dá através do contato entre secreções, sendo que uma delas precisa estar contaminada. Na conjuntivite bacteriana é necessário o contato pessoal para que a transmissão seja feita. Dividir toalhas e roupas de cama pode ser um fator de risco.
Apesar da conjuntivite ocorrer nos olhos, a secreção pode estar por todas as  partes da pele e apenas um toque é o suficiente para infectar outra pessoa.

Como tratar a conjuntivite
O tratamento da conjuntivite depende da sua causa, podendo ser receitados colírios lubrificantes como lágrimas artificiais, colírios ou pomadas com antibiótico e anti-histamínicos para aliviar os sintomas. No entanto, durante o tratamento, podem ainda ser tomadas outras medidas para aliviar os sintomas, como: 
•Evitar a exposição à luz solar ou luz intensa, usando sempre que possível, óculos de sol;
•Lavar regularmente os olhos com soro fisiológico, de forma a eliminar as secreções;
•Lavar as mãos antes e depois de tocar nos olhos ou de aplicar colírios e pomadas; 
•Colocar compressas frias nos olhos fechados;
•Evitar usar lentes de contacto;
•Trocar toalhas de banho e de rosto a cada utilização;
•Evitar a exposição a agentes irritantes, como fumaça ou poeira;
•Evitar frequentar piscinas.

Christine Tamar
Pediatra e Pneumologista infantil
Mestre em Pediatria pela UFF
MBA em gestão de saúde pela COPPEAD - UFRJ
Coordenadora do serviço de pediatria do CHN


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