E a libido durante a amamentação?

Um grande amigo me sugeriu essa pauta e eu resolvi falar sobre o tema.

Sou enfermeira mas não vou abordar o assunto de forma científica. Farei alguns pequenos registros sobre as explicações da ciência mas vou falar mesmo da vida real.

O bebê nasceu né? Opa! Tudo bem! Certo? Bom, para muitas mulheres, sim tudo bem, mas para a maioria a vida vai virar um pouco de cabeça pra baixo. E ainda tem o sexo? Mas vamos lá! Só uma questão de ajuste. Talvez sim, talvez não!

Quando chegamos em casa, em um primeiro momento pensamos que nada mais voltará para o lugar. As coisas demoram um pouco até entrar nos eixos, mas acaba entrando. O sexo também está entre as coisas que vão  entrar nos eixos.

Logo após o parto, existe uma orientação médica para que não haja relação sexual por quarenta dias, tempo esse estimado para que aconteça todo período de cicatrização do pós parto.

Passado esse tempo você pensa, ah tudo normal. Bom ainda não é bem assim também. Quando amamentamos, produzimos um hormônio chamado prolactina, que é responsável pela produção de leite materno. Ao passo que produzimos mais prolactina, não ouvulamos, e por consequência não sentimos tanta vontade de termos relação sexual. Essa é a explicação científica. Mas e a vida real?

Bom, na vida real é que não sentimos vontade alguma. Pelo menos, uma grande parcela das mulheres não sentem. Não há mal nenhum em falar isso, ou tocar no assunto. Na verdade é a única forma de esclarecermos o assunto e ajudar a outras mães.

Todo o nosso mundo se volta para criar o bebê, para dar conta da amamentação, da produção de leite, de colocar para arrotar, de dar conta das cólicas e das primeiras vacinas. São poucas horas de sono e muita demanda materna. Ainda assim você deveria ter muita vontade de ter relação sexual? Não! Não deveria. A menos que realmente você sinta vontade, você não "deve" nada. O cansaço é tão grande, que não sobra muito pensamento no sexo. E não é pecado, viu?

Por um bom tempo isso vai acontecer e é importante que não se sinta culpada por nada disso, mas que dentro do possível, procure essa conexão com seu parceiro, nem que seja a de um gesto carinhoso ou uma conversa durante o jantar.

Depois de algum tempo, as coisas vão se ajustando, o cansaço sempre vai existir, mas acredite, você vai até se acostumar. Por isso é importante aos poucos, lembrar da relação de vocês! Lembrar sim, porque por um tempo você pode de verdade, até esquecer. Então um bom papo, carinhos, jantares, música pode ajudar nessa aproximação natural.

Para finalizar o assunto, vem a questão do corpo. Realmente para muitas mulheres não é fácil ter um corpo modificado. Pra mim não foi. Isso mexe muito com a nossa autoestima, uma gordurinha a mais, leite pingando do peito, não? Comigo mexeu, mas devagar você se esforça para voltar ao seu corpo e se acostumar a suas novas formas e marcas. O mais importante não é estar magra, é se sentir bem com você mesma. Aí sim, você consegue também ter uma boa relação com a sexualidade. Pra mim até hoje, não é muito fácil novas formas, mas eu sigo me reinventando a cada dia. Busco autoestima numa pele bonita, em um cabelo tratado, num bom sorriso e corro atrás do prejuízo na academia.

Não se sinta mal por não sentir vontade de ter relação sexual, não se sinta diferente ou estranha, porque é muito normal. Converse com seu parceiro, seja sincera e tente dar carinho a ele na medida do seu possível e lembre que devagar tudo entra nos eixos.

Busque ajuda com sua ginecologista para maiores esclarecimentos.

E aí? Gostou? Mandem suas dúvidas!

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