Vamos entender a gripe H1N1?


A gripe H1N1 consiste em uma doença causada por uma mutação do vírus da gripe. Também conhecida como gripe Influenza tipo A ou gripe suína, ela se tornou conhecida quando afetou grande parte da população mundial entre 2009 e 2010. Em 2016, houve um aumento importante dos casos no Brasil, principalmente em São Paulo, onde o surto iniciou se em pleno verão.Normalmente a gripe H1N1, assim como os outros tipos de gripe, são bem mais comuns no inverno, mas acredita-se que o grande fluxo de pessoas vindas de regiões frias, como Estados Unidos, Canadá e Europa justifica esse início precoce.

Os sintomas da gripe H1N1 são bem parecidos com os da gripe comum e a transmissão também ocorre da mesma forma. O problema da gripe H1N1 é que ela pode levar a complicações de saúde muito graves, podendo levar os pacientes até mesmo à morte.

Além do tipo H1N1, alguns estados já registraram os primeiros episódios de infecção pelo H3N2, uma versão que, só nos Estados Unidos, infectou mais de 47 mil pessoas no último surto e provocou diversas mortes, principalmente de crianças e idosos.

A circulação do H3N2 no Brasil não é novidade, esse vírus da gripe trafega pelo país há bastante tempo.

Causas

As primeiras formas do vírus H1N1 foram descobertas em porcos, mas as mutações conseguintes o tornaram uma ameaça também aos seres humanos. Como todo vírus considerado novo, para o qual não costumam existir métodos preventivos, o vírus mutante da gripe H1N1 espalhou-se rapidamente pelo mundo.

A transmissão ocorre da mesma forma que a gripe comum, ou seja, por meio de secreções respiratórias, como gotículas de saliva, tosse ou espirro, principalmente. Após ser infectada pelo vírus, uma pessoa pode demorar de um a quatro dias para começar a apresentar os sintomas da doença. Da mesma forma, pode demorar de um a sete dias para ser capaz de transmiti-lo a outras pessoas.

Fatores de risco

A gripe H1N1, como qualquer , pode afetar pessoas de todas as idades, mas nota-se que o vírus infecta mais pessoas entre os cinco e os 24 anos. Foram poucos os casos de gripe H1N1 relatados em pessoas acima dos 65 anos de idade.

Gestantes, doentes crônicos (como diabéticos), crianças pequenas, pessoas com obesidade e com outros problemas respiratórios também estão entre os grupos mais vulneráveis para gripe H1N1.

Os demais fatores de risco seguem a mesma linha daqueles enumerados para outros tipos de grupo. Permanecer em locais fechados e com um aglomerado de pessoas, levar as mãos à boca ou ao nariz sem lavá-las antes e permanecer em contato próximo com uma pessoa doente são os principais fatores que podem aumentar os riscos de uma pessoa vir a desenvolver gripe H1N1.

Sintomas de Gripe H1N1

Os sinais e sintomas da gripe H1N1 são muito parecidos com os da gripe comum, mas podem ser um pouco mais graves e costumam incluir algumas complicações também. Veja:

Febre alta

Tosse

Dor de cabeça

Dores musculares

Falta de ar

Espirros

Dor na garganta

Fraqueza

Coriza

Congestão nasal

Náuseas e vômitos

Diarreia

As complicações decorrentes da gripe H1N1 são comuns em pessoas jovens, o que é bastante difícil de acontecer em casos de gripe comum.

A insuficiência respiratória é um sintoma frequente da gripe H1N1 que não é devidamente tratada. Em casos graves, ela pode levar o paciente à morte.

Sintomas de gripe que não passam devem ser investigados por um especialista, especialmente se eles vierem acompanhados de sinais mais graves, como falta de ar.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar gripe H1N1 são:

Clínico geral/Pediatra

Infectologista

Pneumologista

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram

Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade

Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

Quais são seus sintomas?

Quando seus sintomas surgiram?

Você manteve contato próximo com alguém que estava doente?

Você esteve recentemente em locais fechados ou com aglomerados de pessoas?

Você sente falta de ar? Com que frequência?

Você tomou vacina para gripe H1N1?

Diagnóstico de Gripe H1N1

A suspeita de gripe H1N1 ocorre em pessoas com quadro de sinais e sintomas compatíveis aos de gripe, mas com as complicações típicas da H1N1. Nestes casos, o médico deverá coletar uma amostra de secreção do paciente e enviá-la para análise minuciosa no laboratório.

Em casos que necessitem de Urgência:

As emergências possuem protocolo para atendimento de casos suspeitos. Lá é realizado notificação à Orgãos de saúde competentes e se necessário coleta de material para identificação do vírus que em geral é enviado à Fio Cruz.

Possuem também reserva de antiviral – Tamiflu é o mais utilizado, e orientações de acompanhamento.

Tratamento de Gripe H1N1

A maioria dos casos de gripe H1N1 foi sanada completamente sem a necessidade de internação hospitalar ou do uso de antivirais. Em alguns casos, no entanto, o uso de medicamentos e a observação clínica são necessários para garantir a recuperação do paciente.

​Convivendo/ Prognóstico

Uma pessoa diagnosticada com gripe H1N1 deve permanecer em casa, afastado do trabalho ou da escola, e evitar locais com acúmulo de pessoas. Repouso e manter boa hidratação são duas dicas importantes para garantir a recuperação.

Complicações possíveis

A principal complicação decorrente de gripe H1N1 consiste em crises de insuficiência respiratória, que podem levar o paciente a óbito se não forem tratadas imediatamente e em caráter de urgência.

Prevenção

A prevenção de gripe H1N1 segue as mesmas diretrizes da prevenção de qualquer tipo de gripe, só que o cuidado deve ser redobrado:

Evite manter contato muito próximo com uma pessoa que esteja infectada

Lave sempre as mãos com água e sabão e evite levar as mãos ao rosto e, principalmente, à boca

Leve sempre um frasco com álcool-gel para garantir que as mãos sempre estejam esterilizadas

Mantenha hábitos saudáveis. Alimente-se bem e coma bastante verduras e frutas. Beba bastante água

Não compartilhe utensílios de uso pessoal, como toalhas, copos, talheres e travesseiros

Se achar necessário, utilize uma máscara para proteger-se de gotículas infectadas que possam estar no ar

Evite frequentar locais fechados ou com muitas pessoas

Verifique com um médico se há necessidade de tomar a vacina que já está disponível contra a gripe H1N1.

Vacinação

A vacina que será distribuída na campanha deste ano protege contra o H1N1, o H3N2 e também um subtipo do influenza B na composição.

A vacinação normalmente é oferecida na rede pública para pessoas dentro dos grupos de risco, ou seja:

Crianças entre 6 meses e 5 anos

Idosos acima de 60 anos

Gestantes

Portadores de doenças crônicas, como bronquite easma.

Quem não se encaixa nesses grupos, mas quer se prevenir, deve buscar a vacina em clínicas particulares.

Christine Tamar

Pediatra e Pneumologista infantil

Mestre em Pediatria pela UFF

MBA em gestão de saúde pela COPPEAD - UFRJ
Coordenadora do serviço de pediatria do CHN

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