Seu bebê não dorme ? Que tal tomar nota de algumas dicas?



Você já seguiu todas as recomendações e a noite continua sendo um drama com o seu filho? Reunimos aqui as principais falácias e as estratégias que realmente funcionam na hora de dormir

Quem dera fosse só colocar a criança no berço ou na cama, com hora marcada, para ela embarcar em um sono profundo até o dia seguinte. Para alguns pais sortudos, é simples assim. Para grande parte, no entanto, fazer o filho dormir requer treino, persistência e paciência. Sem falar nas dúvidas que surgem no meio do caminho. Quem nunca se perguntou se deveria acordar o bebê porque estava dormindo demais? Ou quase enlouqueceu, pois ele passou a despertar no meio da madrugada?
O pior é que não há receita pronta para solucionar impasses do gênero, apenas dicas e relatos de experiências bem-sucedidas que podem ser testadas. Cada situação tem de ser avaliada individualmente. Não à toa, um serviço personalizado que já é popular nos Estados Unidos vem ganhando espaço no Brasil. Trata-se da consultoria do sono materno-infantil, em que um especialista observa a rotina, identifica os fatores que impedem a criança de dormir, cria um plano de sono e orienta os pais, presencialmente ou via internet. Toda a família precisa estar envolvida para saber como agir, sem confundir a criança no processo de reeducação do sono. Não  há método que não envolva um pouco de choro, já que estamos mudando um comportamento. Isso não significa, porém, deixar seu bebê se esgoelando no berço até se cansar, mas ensiná-lo, com carinho, que tudo tem seu tempo.
Se você não sabe por onde começar, converse com o pediatra e os amigos, além de recorrer a livros e reportagens. Para facilitar essa árdua busca por noites tranquilas, conheça algumas dicas:

É desaconselhável colocar a criança para dormir logo após mamar bastante ou ingerir alimentos sólidos.  O peso da comida pode causar mal-estar. Sem contar que há risco de o bebê regurgitar o leite e aspirá-lo. O ideal é oferecer o jantar cerca de duas horas antes de deitar. À noite, a refeição deve ser composta por alimentos de fácil digestão, como sopas, carnes magras (que são fontes de proteína), verduras e legumes cozidos. Antes de dormir, a criança pode tomar leite, mas sem extrapolar no volume a que está acostumada. Também vale reforçar que, quando o bebê arrota, diminui o risco de regurgitar durante o sono. Pelo mesmo motivo, ele deve mamar com a cabeça elevada em relação ao corpo (com uma inclinação de 30 a 45 graus), e não totalmente deitado.

Pode ser que o seu filho nunca tenha demonstrado nenhum tipo de dificuldade na hora de ir para a cama, mas esse comportamento é exceção. Só 10% dos bebês desenvolvem a capacidade de adormecer sozinhos, empregando recursos como se balançar, segurar um paninho ou chupar o dedo. Os demais têm de ser ensinados. Nos três primeiros meses, o bebê repete vários ciclos de mamada, cocô e sono. Por isso, não adianta tentar acostumá-lo a dormir a noite toda nessa fase. Essa é mais uma razão para concentrar os esforços a partir do quinto mês, com a criação de um ritual.
A criança precisa, de fato, de uma rotina estabelecida para conseguir ter uma boa noite de sono. Uma pesquisa recente da Universidade de Saint Joseph (EUA) confirma essa necessidade. Foram estudadas 405 famílias, com filhos de 7 meses a 3 anos. Os resultados mostraram que o simples fato de a criança ir para a cama no mesmo horário todas as noites melhora a continuidade do sono noturno e, consequentemente, contribui com o bom humor das mães. Mas essa regularidade só é possível a partir do quinto mês, quando o bebê já produz melatonina – hormônio que induz à sonolência, assinalando ao organismo o momento de dormir. É aí que se deve estabelecer um ritual de sono, repetindo-o todas as noites, antes de colocar a criança na cama. 
Atitudes  simples são capazes de sinalizar ao bebê que está chegando a hora de desacelerar: o quarto deve ser escurecido e os estímulos visuais e sonoros também precisam diminuir. O ritual pode incluir um banho relaxante, uma massagem, a troca de fralda, a mamada e o colo para arrotar. Depois, vale colocar a criança no berço e cantar uma música, contar uma história, fazer uma oração ou apenas conversar. Ofereça uma naninha, para que ela segure até cair no sono. Esse objeto servirá como referência para ela se acalmar, caso acorde no meio da noite.
Para as crianças maiores, a rotina é parecida. Antes de adormecer, os pais podem ler um livro, dar um beijo de boa noite e sair do quarto, para que o filho pegue no sono da forma mais independente possível.

Pode deixar dormir no carrinho?

Sim, se for para cochilos breves. Porém, para dormir à noite, é importante estar no berço, cujo colchão proporciona as condições ideais para o descanso. Mas, atenção! Uma pesquisa do Children’s Hospital Medical Center (EUA) alerta para uma ameaça preocupante: o uso incorreto da cadeirinha automotiva, fora do carro, é responsável por mortes infantis por asfixia, pois a criança pode se enrolar no cinto. Por isso, mantenha a vigilância constante.

Chás auxiliam? 

Primeiro, lembre-se de que crianças neurologicamente saudáveis não necessitam de substâncias para conduzir o sono, Mas é verdade que, assim como outros chás fitoterápicos – erva-doce e jasmim, por exemplo –, o de camomila tem a capacidade de induzir o organismo ao relaxamento. E o melhor é que a planta é rica em substâncias potencialmente benéficas, com efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, e pode diminuir a ansiedade. O chá pode ser oferecido em temperatura morna, desde o sexto mês.

Quantas horas um RN dorme? 

O recém-nascido pode dormir até 19 horas por dia, fracionados em pequenos cochilos. Conforme cresce, esse tempo diminui. A organização americana National Sleep Foundation divulgou uma tabela atualizada com a quantidade de tempo de descanso considerada apropriada para cada faixa etária. Confira, levando em conta que as características individuais podem acarretar pequenas variações.

O que é o terror noturno? 

O terror noturno é um transtorno do despertar: geralmente, a criança se senta na cama no meio da noite, grita, chora, pronuncia frases sem nexo, e os batimentos cardíacos e a respiração aceleram. Durante o episódio, a criança não está consciente e não se lembra de nada ao acordar. O ideal é que os pais não despertem o filho, apenas tentem acalmá-lo. De acordo com uma estatística do Instituto Brasileiro do Sono, 3% das crianças apresentam o quadro, sendo mais frequente entre 5 e 7 anos.

Fazer muitas atividades e esportes ajuda. “Cansar” a criança e dormir melhor?

Nem sempre. Algumas vezes, um grande número de atividades deixa a criança tão animada que ela pode ter dificuldade para relaxar. Ou pode ser até que durma cedo, devido ao cansaço, mas acorde no meio da madrugada.

A casa precisa “parar” para o bebê dormir? 

Não. Basta que o ambiente seja calmo. Os pais não devem assistir a um filme de ação em volume alto, por exemplo, mas podem fechar a porta do quarto da criança e ver TV na sala ou conversar em volume moderado. Ou seja, um pouco de bom senso e nada de paranoia!

Mamadas noturnas...

Converse com o pediatra e estabeleçam como proceder com as mamadas. Mas, em geral, a recomendação é diminuir a ingestão de líquidos antes de dormir, visando evitar o xixi noturno. Não se esqueça de levar seu filho ao banheiro antes de colocá-lo na cama e, apenas no início, a cada duas horas. Por fim, parabenize-o pela conquista, cada vez que passar a noite sem nenhum escape.
O desempenho escolar é frequentemente prejudicado pelas noites maldormidas. Uma pesquisa da Universidade Sapienza de Roma (Itália) concluiu que a quantidade e a qualidade do sono estão intimamente relacionadas com a capacidade de aprendizado. Outro estudo, finlandês, da Universidade de Helsinki, com 60 crianças de 6 a 13 anos, também revelou que a privação de sono afeta a memória em atividades escolares. Esse é mais um motivo para você entender a importância da rotina e de não deixar a criança acordada até tarde. Se o seu filho tem dificuldade em levantar de manhã para ir à escola, tente colocá-lo para dormir mais cedo. Assim, ele se sentirá mais disposto no dia seguinte para frequentar as aulas.

Bruxismo...

Se a criança aperta a mandíbula enquanto dorme, é provável que tenha bruxismo. Sua consequência mais comum é o desgaste dos dentes, mas também pode haver ruídos, dores musculares, limitação de abertura de boca e zumbido no ouvido. Ele está relacionado aos hábitos de roer unhas, morder lábios, mascar chicletes e respirar pela boca. Crianças com sono agitado e dor de cabeça frequente também apresentam mais episódios. O tratamento mais comum é a utilização de placas específicas para dormir, que reduzem o contato entre os dentes.

Sonhos... 

Em adultos, os sonhos ocorrem no chamado Sono REM, caracterizado por movimentos rápidos dos olhos. Como o sono das crianças contempla esse estágio desde o nascimento, acredita-se que elas também sonhem. O conteúdo estaria de acordo com informações que captam do ambiente. Ou seja, inicialmente, o bebê sonharia com cores, depois, com rostos dos familiares, e assim por diante.

Abajures ou luzes a noite... 

A luminosidade inibe a secreção da melatonina, hormônio que induz e aprofunda o descanso. E como o hormônio do crescimento (GH) é liberado durante o sono profundo, essa fabricação também é prejudicada. Por isso, escureça o ambiente. Se a criança tem medo de escuro, use uma lâmpada de tomada azul, o único tipo de luz que causa sonolência.

Risco de hipoglicemia 

Durante o primeiro mês, não é adequado que ele fique mais de seis horas sem se alimentar. Por isso, ele precisa ser acordado quando estiver dando este intervalo. Passado esse período, não é mais necessário despertá-lo. É só se assegurar de que ele está ganhando peso adequadamente e se desenvolvendo bem. São muito raras as doenças, como o hipotireoidismo, que levam o bebê a dormir exageradamente,Mas, se houver essa suspeita, converse com o pediatra.


Sonecas ... 

Até os 6 meses, a soneca é nitidamente benéfica, mas, depois disso, não é obrigatória e os pais podem deixar acontecer naturalmente. O ideal, segundo ele, é ser flexível, sem impor a soneca à tarde se o seu filho não demonstrar sinais de que precisa dela. Essa necessidade varia de uma criança para outra.

Christine Tamar

Pediatra e Pneumologista infantil

Mestre em Pediatria pela UFF

MBA em gestão de saúde pela COPPEAD - UFRJ

Coordenadora do serviço de pediatria do CHN

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