O que você precisa saber sobre febre?


• A febre é uma reação normal do organismo a um agente exógeno, seja ele, vírus, bactérias, antígenos (contidos em algumas vacinas), drogas, etc. É um sinal de alerta!

• As infecções virais “têm direito” há 3 dias completos de febre (alguns vírus podem causar febres um pouco mais prolongadas).Crianças, principalmente os pré-escolares têm infecções virais freqüentes (o número aumenta quando ficam em creches!) e isso é benéfico a longo prazo, pois estimula seu mecanismo imunológico(defesa).

• A redução do apetite é inevitável, a criança deve ser alimentada com aquilo que aceitar e reforçada de acordo com as possibilidades. Não forçar!

• Ofereça líquido com freqüência e de acordo com a preferência (água, sucos, chás, água de coco...).

• Utilizar roupas leves, manter o ambiente ventilado!

• A febre moderada estimula os mecanismos de defesa contra a infecção sendo assim não há necessidade, nem vantagem em normalizar inteiramente a temperatura. Por isto o objetivo do antitérmico é apenas aliviar o desconforto causado pela febre e deve ser usado apenas nos momentos em que ela está ocasionando indisposição acentuada, sem horário prefixado, mas respeitando o intervalo mínimo de cada medicamento.

• A diminuição da febre e do mal-estar só ocorre enquanto o antitérmico está fazendo efeito (4-6 h), o retorno da febre após este período é esperado e não significa fracasso terapêutico.

• Existe algum benefício com banhos e compressas, estas devem ser utilizadas após os antitérmicos, quando seu efeito não for satisfatório. Não usar água fria e muito menos álcool!

• Febre pode causar convulsão, mas só em crianças geneticamente dispostas, entre 6 meses e 6 anos. As convulsões febris, embora indesejáveis, não acarretam o risco de lesão cerebral (seqüelas). Crianças maiores de 1 ano de idade que já passaram pelo teste de ter febre > 38,7ºC e não tiveram convulsão, dificilmente estão expostas a este desagradável evento.

• Existe possibilidade sim da febre causar lesão cerebral, porém isto só ocorre em febre acima de 41,5ºC (o que é muito raro!).

• Recém nascidos e lactentes com menos de 2 meses de vida são os que precisam de uma atenção maior quanto à origem da febre.

• Cuidado para não confundir febre com hipertemia que ocorre quando há excesso de calor ambiental, incluindo excesso de agasalho, exercício físico intenso e baixa ingesta hídrica levando a desidratação. No recém nascido que está mamando inadequadamente ou muito agasalhado é comum a hipertemia.

• Estar atento ao início exato da febre, assim como os sintomas associados (coriza, tosse, tremores de frio (calafrios), gemência (sinal de alarme!), sonolência exagerada, irritabilidade, vômitos, diarréia, manchas no corpo...). Observar se após a diminuição da febre, conseguida com antitérmicos ocorre uma melhora da disposição da criança (sinal benéfico!).

• Atenção: saiba como medir a temperatura da criança!
¨Enxugar a axila da criança (se houver sudorese!), colocar o termômetro na axila e manter o braço firmemente apertado no tórax por 3-4 minutos. Fazer a leitura imediatamente após a retirada! A temperatura axilar normal varia de 36,5ºC pela manhã e 37,2ºC de tarde. A temperatura é mais baixa pela madrugada e no início da manhã e é máxima no final da tarde e início da noite. O lactente apresenta uma temperatura normal maior que a do adulto; a partir de 1 ano de idade ela tende a diminuir para níveis semelhantes ao do adulto.
Christine Tamar
Pediatra e Pneumologista infantil
Mestre em Pediatria pela UFF
MBA em gestão de saúde pela COPPEAD - UFRJ
Coordenadora do serviço de pediatria do CHN

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