Dra. meu bebê ainda não fala! O que eu faço?



 Escutei muito esta pergunta essa semana no consultório. Pais costumam ficar angustiados quando a criança não fala, vamos explorar as principais causas.


A fala é um dos marcos de desenvolvimentos mais esperados. Não há preço que pague ser chamada de “mamae” ou “papai” pelo filhote. Os pais sentem que o tempo está passando mais rápido. Mas daqui a pouco ele completará dois anos, e até agora apenas balbucia. Você não consegue entender nada do que ele está tentando dizer. O que fazer?


Geralmente, o vocabulário das crianças atinge de 10 a 20 palavrinhas que expressam as suas vontades. São poucas as compreensíveis, mas as tendências são de que a fala aumente diariamente.


O pequeno desenvolveu o sistema motor normalmente. Sustentou a cabeça, sentou, começou a engatinhar e ficou de pé, ensaiando os passinhos. Ele compreende o que está a sua volta, como por exemplo, quem é o vovô, a vovó, o priminho. Porém, os especialistas afirmam que se até os dezoito meses nada for dito, a mamãe deve procurar um tratamento adequado.


Algumas crianças não falam porque não querem ou não necessitam, pois recebem tudo à mão, sem que exercite o pedir. Mas saiba que isto é natural, pois cada situação necessita de um tempo certo para ocorrer. Mães extremamente cuidadosas ou pais mais severos contribuem para o desenvolvimento do problema. Como o choro é a comunicação universal de todos os pequenos logo no início, é comum que eles utilizem este artifício, já que tudo fica ainda mais fácil quando dão o “alerta”.


Bebês que nasceram de uma gravidez de risco ou de mães que enfrentaram problemas no parto têm mais probabilidade de demorar a falar. Se viroses demoradas, acidentes e meningites fizeram parte da vida do seu pequeno no primeiro aninho, as agressões ao sistemanervoso ficam mais acentuadas.


Você lembra se começou a falar tarde? O seu filho mais novo demorou a pronunciar as palavras? Segundo alguns artigos, o aspecto genético pode ser considerado uma das causas do atraso. O caso também está interligado à condição socioeconômica da família, o local onde a criança vive e a falta de interação entre os membros da família.


Nem sempre aquele que começou a falar mais cedo será um pequeno tagarela. A criança pode ter iniciado a sua fala com um aninho, mas ter tido um desenvolvimento mais lento, sem acrescentar outras palavras ao seu vocabulário. 


Se a criança não atende a um chamado da mamãe, talvez ela esteja com problemas auditivos, amenos ou profundos. Verifique esta possibilidade para não retardar o desenvolvimento do seu filho. Audiometria é recomendada entre os 9 meses e 1 ano de vida, podendo ser repetida caso haja necessidade.


Situações desconfortáveis, como a separação dos pais (agitação) e a ausência de pessoas conhecidas causam angústia nos pequeninos. Preste atenção!


Estimular a fala da criança não é um bicho de sete cabeças. Quase sempre as mamães fazem isso de forma natural, conversando com a criança constantemente. Se possível, converse com o seu filho enquanto estiver desenvolvendo alguma tarefa diária.

Não fale com a criança em “bebezês”. Ela precisa ter acesso às palavrinhas simples para que possa ampliar o seu vocabulário.


Os pais não devem deixar de contar historias para as crianças antes de dormir. Além de estimular o lúdico, faz com que ela treine o raciocínio, contribuindo para que use mais palavras.


Evite que a criança conviva apenas com pessoas que falem errado. Elas tendem a pronunciar tudo o que escutam. Falar “elado” é uma gracinha, mas não é adequado, já que a criança pode perder o foco na hora do aprendizado.


Fique atenta e procure o seu pediatra. É importante estar ciente de que são inúmeros os recurso a serem utilizados. Se houver necessidade, contate fonoaudiólogos, neurologistas, psiquiatras e otorrinolaringologista. Problemas orais, neurológicos, de ordem psíquica e a surdez não devem ser descartados. Quanto antes procurar um profissional, menos prejuízos a criança terá.

 

De olho nele!

 

Christine Tamar

Pediatra e Pneumologista infantil

Mestre em Pediatria pela UFF

MBA em gestão de saúde pela COPPEAD - UFRJ

Coordenadora do serviço de pediatria do CHN

 

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